Alimentos Transgênicos: Saudáveis ou uma ameaça à saúde?

Saúde na mesa

Alimentos transgênicos já é uma realidade para o Brasil atualmente. O Brasil é a nação com maior riqueza genética, também conhecida como biodiversidade, a matéria-prima da biotecnologia.



Com a promessa de maior produtividade/menos custo, o efeito da invasão dos negócios pela engenharia genética, com a proliferação das chamadas “companhias de ciências da vida” (life sciences companies), se tornou um fato econômico marcante dos anos 90.

Símbolo de identificação de um produto transgênico.

Casos polêmicos da biotecnologia

À primeira vista, isso parece uma dádiva da biotecnologia para os agricultores, e não faltarão biotecnólogos e fazendeiros para afirmar exatamente isso. Também não faltam, porém, críticas e polêmicas sobre as culturas transgênicas tornadas resistentes a insetos, tais estas capazes de se blindarem de tais “ameaças”. No entanto, da mesma forma que o abuso e o mau uso de antibióticos suscitam a emergência de linhagens resistentes de bactérias causadores de doenças (já temos este artigo, clique aqui), a pressão seletiva representada por quantidades crescentes de material alimentar transgênico disponível para os insetos favorecerá a sobrevivência e consequente reprodução daqueles naturalmente resistentes à toxina, transformando estes insetos incombatíveis por defensivos agrícolas convencionais.



Na realidade, isso não é a primeira polêmica da engenharia genética. Desde seus primórdios surgiram questionamentos de ordem ética sobre essa tecnologia, sobretudo quanto aos riscos de uma nova
e mais poderosa forma decodificação, bem como sobre sua segurança, uma vez que não se sabia que efeitos poderiam ser desencadeados pelas alterações genéticas em agentes patogênicos como vírus e bactérias.

O debate público também só fez ampliar-se e tornar-se complexo, em paralelo, com a inclusão de preocupações ambientais e com a saúde humana. Entre as mais citadas encontram-se a hipótese de que alimentos transgênicos provoquem alergias em seres humanos, uma vez que os genes neles introduzidos codificam proteínas anteriormente inexistentes na planta. A indústria, por seu turno, responde às críticas com otimismo, argumentando que os produtos desenvolvidos com a tecnologia de DNA recombinante são o único recurso disponível para gerar os ganhos de produtividade necessários para alimentar a população crescente e que obedecem, em cada país onde alcançaram o mercado, a regulamentação democraticamente estabelecida pelos respectivos governos.

Rotular ou não produtos transgênicos?

Rotular ou não produtos alimentares transgênicos é uma discussão recorrente nessa área. Algumas organizações, inclusive o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), defendem o direito de escolha do consumidor, a exemplo do que ocorre na maioria dos países da Europa e ao contrário do que se exige nos EUA ou na Argentina, nossa maior parceira econômica na América do Sul. Os representantes da indústria quase nunca discordam abertamente da rotulação, mas costumam contrapor-lhe objeções técnicas, como o risco de desorientar consumidores, por indeterminação das informações, transparecendo que não interessa à indústria biotecnológica ver seus produtos identificados claramente como transgênicos, uma vez que isso permitiria justamente o exercício do direito de escolha do consumidor.

Banner idealizado pelo IDEC, contra a desrotulação de produtos transgênicos.

Fonte:

http://seer.cgee.org.br/index.php/parcerias_estrategicas/article/viewFile/148/142



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