evidências de Deus

Os argumentos mais conhecidos para a existência de Deus são o argumento cosmológico, o argumento teleológico, o argumento moral e o argumento ontológico. Respectivamente, esses são os argumentos da criação (gr. cosmos, “universo, mundo”), finalidade (gr. telos,“finalidade, propósito” ) e da idéia de um ser perfeito (gr. ontos,“realidade, existência”). Além deles, o argumento axiológico, o argumento antropológico e o argumento da experiência religiosa geralmente são usados. O argumento axiológico (gr. axios,“valor” ) é baseado os julgamentos de valor. Está intimamente ligado ao argumento moral, o argumento que parte de uma lei moral para
um Legislador Moral.

O argumento cosmológico.

Existe um universo, em vez de nenhum, que deve ter sido causado por algo além de si mesmo. A lei da causalidade (v. causalidade, princípio da) diz que todo ser finito é causado por algo além de si mesmo.

Há duas formas básicas para esse argumento. A primeira diz que o cosmo ou universo precisou de uma causa no seu princípio׳ ,a segunda argumenta que ele precisa de uma causa para continuar existindo.

Uma causa no princípio.

O argumento de que o universo teve um princípio causado por algo além do universo pode ser afirmado desta maneira:

  1. O universo teve um princípio.
  2. Qualquer coisa que teve um princípio deve ter sido causada por outra coisa.
  3. Logo, 0 universo foi causado por outra coisa (um Criador)

Evidência científica.

Evidências científicas e filosóficas podem ser usadas para apoiar esse argumento. De acordo com a segunda lei da termodinâmica, num sistema isolado e fechado como 0 universo, a quantidade de energia utilizável está diminuindo. o universo está se desgastando, logo não pode ser eterno. Caso contrário, teria esgotado sua energia utilizável há muito tempo. Deixadas à própria sorte, sem intervenção inteligente externa, as coisas tendem à desordem.
Já que o universo ainda não atingiu o estado de desordem total, esse processo não está acontecendo eternamente.

Outra série de evidências vem da bem aceita cosmologia do big-bang. De acordo com essa teoria, o universo surgiu com uma explosão aproximadamente 15 ou 20 bilhões de anos atrás. A evidência oferecida para isso inclui:

  1. O efeito de Doppler, observado na luz das estrelas à medida que se afastam;
  2. o eco da radiação vinda do espaço, que tem o mesmo comprimento de onda que seria emitido por uma explosão cósmica gigantesca;
  3. a descoberta de uma massa de energia que seria esperada
    de uma explosão.

O agnóstico Robert Jastrow, fundador-diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da nasa, disse:

Pode existir uma explicação, lógica para o nascimento explosivo do nosso universo; mas, se existe, a ciência não pode descobrir essa explicação. A busca do cientista pelo passado termina no momento da criação.

Mas se o universo foi criado, então é razoável concluir que houve um Criador. Pois tudo que tem início tem um Iniciador.

Evidência filosófica.

O tempo não pode voltar no passado eternamente, pois é impossível passar por um número infinito e real de momentos. Um número teoricamente infinito de pontos sem dimensão existe entre meu polegar e meu dedo indicador, mas não posso colocar um número infinito de folhas de papel entre eles, não importa quão finas sejam. Cada momento que passa gasta tempo real que nunca mais podemos viver. Se você passasse seu dedo por um número infinito de livros numa biblioteca, jamais chegaria ao último livro. É impossível terminar uma série infinita de
coisas reais.

Assim, o tempo deve ter um princípio. Se o mundo não tivesse princípio, não poderíamos ter chegado ao presente. Mas, se chegamos, o tempo deve ter começado em determinado momento e continuado até hoje. Portanto, o mundo é um evento finito e precisa de uma causa para seu princípio. o argumento pode ser resumido:

  1. Um número infinito de momentos não pode ser percorrido.
  2. Se um número infinito de momentos tivesse de transcorrer antes do presente, então o presente jamais teria vindo.
  3. Mas o presente veio.
  4. Logo, um número infinito de momentos não transcorreu antes do presente (i.e., o universo teve um princípio).
  5. Mas tudo que tem um princípio é causado por outra coisa.
  6. Logo, deve haver uma Causa (Criador) do universo.

Uma causa agora.

A versão anterior do argumento cosmológico foi denominada “argumento horizontal”, já que argumenta de forma linear de volta a um princípio. Esse argumento também é conhecido como argumento cosmológico kalam. Foi formulado por filósofos árabes da Idade Média e empregado por Boaventura (1217-1274). 0 filósofo contemporâneo
William Craig publicou várias obras sobre ele. Um problema com o argumento é que ele afirma que houve um Criador apenas no princípio do universo. Não mostra a necessidade contínua de um Criador. Essa é a questão da forma vertical do argumento cosmológico. O proponente mais famoso desse argumento foi Tomás de Aquino (1225-1274).

Algo nos mantém em existência agora para não desaparecermos. Algo não só causou o surgimento do mundo (Gn 1.1), mas também causa a continuação da sua existência (v. Cl 1.17). o mundo precisa de uma causa originadora e de uma causa conservadora. Esse argumento responde à pergunta básica: “Por que existe algo (agora) ao invés de nada?” . Resumidamente, ele pode ser afirmado desta maneira:

  1. Todas as partes do universo são dependentes.
  2. Se todas as partes são dependentes, então o universo inteiro também deve ser dependente.
  3. Logo, o universo inteiro é dependente em sua existência de algum Ser Independente agora.

Os críticos respondem que a segunda premissa é a falha da composição. Só porque todas as peças de um mosaico são quadradas não significa que o mosaico inteiro seja quadrado. E juntar dois triângulos não forma necessariamente outro triângulo; forma um quadrado. O todo pode ter (e às vezes tem) uma característica não possuída pelas partes. A defesa responde que às vezes há uma ligação necessária entre as partes e 0 todo. Se todas as partes de um piso são de carvalho, 0 piso inteiro é de carvalho. E, apesar de dois triângulos juntos não formarem necessariamente outro triângulo, formarão necessariamente outra figura geométrica. Ser uma figura geométrica
faz parte da natureza de um triângulo, assim como ser dependente faz parte da natureza de tudo no universo.
Um ser dependente não pode sustentar outro ser dependente.
Alguns críticos argumentam que 0 todo é maior que as partes, assim, apesar de as partes serem dependentes,
0 universo inteiro não é. Mas isso não funciona no caso do universo. Se as partes contingentes, que juntas
compõem 0 universo, sumirem, 0 universo some. Evidentemente 0 universo inteiro é dependente.

O argumento teleológico.

Existem muitas formas para 0 argumento teleológico, a mais famosa derivada da analogia do relojoeiro de William Paley. Já que todo relógio tem um relojoeiro, e já que 0 universo é extremamente mais complexo no seu funcionamento do que um relógio, conclui-se que deve haver um Criador do universo. Resumidamente, 0 argumento teleológico raciocina a partir de um projeto em direção a um Projetista inteligente.

1. Todos os projetos implicam um projetista
2. Há muito planejamento envolvido no projeto do universo.
3. Logo, deve haver um Grande Projetista do universo.

Toda vez que vemos um objeto complexo, sabemos por experiência prévia que ele veio da mente de um projetista. Os relógios implicam relojoeiros; prédios implicam arquitetos; pinturas implicam artistas; e mensagens codificadas implicam uma fonte inteligente. Além disso, quanto maior 0 projeto, maior 0 projetista. Os castores fazem represas com toras, mas jamais construíram algo parecido com a ponte Golden Gate. Mil macacos datilografando por milhões de anos jamais produziriam H am let por acaso. Shakespeare não 0 escreveu na primeira tentativa. Quanto mais complexo 0 projeto, maior a, inteligência necessária para produzi-lo. É importante lembrar que por “projeto complexo” quero dizer com plexidade específica. Um cristal, por exemplo, tem especificidade, mas não complexidade. Tal como um floco de neve, ele tem os mesmos padrões básicos repetidos vez após vez. Polímeros aleatórios, por outro lado, têm complexidade, mas não especificidade. Uma célula viva, no entanto, tem especificidade e complexidade. Esse tipo de complexidade nunca é produzida por leis puramente naturais. É sempre 0 resultado de um ser inteligente. É o mesmo tipo de complexidade encontrada na linguagem humana. A seqüência de letras no alfabeto genético de quatro letras também é idêntica à de uma linguagem escrita. E a quantidade de informação complexa num simples animal unicelular é maior que a informação encontrada num dicionário Aurélio.

O astrônomo agnóstico Carl Sagan inadvertidamente deu um exemplo ainda maior. Ele declarou que a informação genética no cérebro humano expressa em bits é provavelmente comparável ao número total de conexões entre os neurônios — cerca de 100 trilhões, 1014 bits. Se escrita em inglês, por exemplo, essa informação encheria uns 20 milhões de volumes, tantos quantos se encontram nas maiores bibliotecas do mundo. O equivalente a 20 milhões de livros está dentro da cabeça de cada um de nós. “O cérebro é um lugar muito grande num espaço bem pequeno”, disse Sagan. Ele declarou tembém que “a neuroquímica do cérebro é incrivelmente ativa, o circuito elétrico de uma
máquina mais maravilhosa que qualquer outra inventada por seres humanos”. Mas, se esse é 0 caso, então
por que o cérebro humano não precisa de um Criador inteligente, assim como o computador mais simples?

O argumento ontológico.

O argumento ontológico parte da idéia de um Ser Perfeito ou Necessário
para a existência de tal Ser. Pelo que se sabe, 0 primeiro filósofo a desenvolver 0 argumento ontológico (apesar
de não ser 0 primeiro a dar-lhe esse nome) foi Anselmo ( 1033-1109). Na forma mais simples, 0 argumento é construído a partir da idéia de Deus para a existência de Deus. Há duas formas para esse argumento: a idéia de um Ser Perfeito e a da idéia de um Ser Necessário. O Ser Perfeito. Segundo essa afirmação, a simples idéia de Deus como ser absolutamente perfeito exige que ele exista. Resumidamente:
1. Deus é por definição um ser absolutamente perfeito.
2. ,Mas a existência é uma perfeição.
3. Logo, Deus deve existir.

Se Deus não existisse, ele careceria de uma perfeição, a saber, a existência. Mas se Deus não tivesse alguma perfeição, não poderia ser absolutamente perfeito. Mas Deus é por definição um ser absolutamente perfeito. Portanto, um ser absolutamente perfeito (Deus) deve existir.

Desde a época de Immanuel K a n t (1724-1804), a maioria das pessoas concorda que essa forma de argumento é inválida porque a existência não é a perfeição. Argumenta-se que a existência não acrescenta nada ao conceito de uma coisa: apenas dá uma instância concreta dela. A moeda na minha mente pode ter exatamente as mesmas propriedades da que está no meu bolso. Mas há uma segunda forma do argumento ontológico que não está sujeita a essa crítica. O Ser Necessário. Anselmo argumentou que o próprio conceito de um Ser Necessário exige sua existência:
1. Se Deus existe, devemos imaginá-lo como um Ser Necessário.
2. Mas, por definição, um Ser Necessário não pode não existir.
3. Logo, se um Ser Necessário pode existir; então deve existir.